Leaf, dirigindo sustentabilidade
Após uma semana de prática com o Leaf, o carro elétrico da Nissan, foi provado que zero emissão rima com diversão
Fábrica avisa que o Nissan Leaf está aqui apenas para ação de marketing, então ainda não é o tão esperado anúncio do início das vendas de um carro elétrico no Brasil. Mas já dá para pensar em comemorar o que pode ser o início de uma mudança de mentalidade, com o fato de estar à venda em grandes mercados, como Europa, Estados Unidos e Japão.
A Quatro Rodas passou, com exclusividade, seis dias com o Leaf PR em ruas e estradas de São Paulo e chegou a conclusão de que é realmente muito bom usufruir do prazer de dirigir com a consciência limpa.
Foi tudo preparado com cuidado para a chegada do Leaf . Recebeu uma vaga reservada com exclusividade na área para carros de teste, no edifício da Editora Abril. Por necessidade e não por regalia: a Nissan também teve que instalar um ponto para recarga rápida no local, ao entregar o carro. Esse é um equipamento vendido também como opcional para que seja instalado na garagem de onde o comprador mora. Para a instalação, é necessário somente que seja um ponto de energia de 220V aterrado. O Leaf traz no porta malas uma bolsa com um carregador simples, para utilizá-lo em uma tomada comum.
O tempo para recarga de uma bateria que esteja completamente “vazia” vai depender da voltagem da tomada utilizada. A recarga pedirá paciência se a voltagem for em 110V, pois pode durar 21 horas. Em 220V, bastam apenas 8 horas. Apenas 30 minutos conectado a um ponto de recarga rápida, retêm 80% de sua capacidade máxima. Três leds acima do painel do carro e junto à base do pára-brisa, informam o status da recarga: eles param de piscar e permanecem acesos conforme o nível aumenta. Quando todos estiverem acesos, é só desplugar como se fosse um bico de bomba de combustível comum.
O condutor conta com o quadro de instrumentos e o display multimídia de 7 polegadas para se manter informado das condições dos 48 módulos de baterias espalhados pelo assoalho do Leaf, principalmente na região do banco traseiro. Um sistema de proteção entra em ação para que o motor de 80Kw (ou 107cv) não exija muito delas e um conjunto de ventiladores ajuda a eliminar o calor.

Na hora da partida, pisar no freio e apertar o botão no painel com o cabo de recarga da dianteira ligado, nada acontece. Faço uma nova tentativa, mas somente as luzes e um som eletrônico, mas não ouço som no motor ainda. O instrutor técnico da Nissan, André Maranhão, também responsável pela estada Leaf no Brasil, indica o ícone de um carro com uma seta para frente e para trás acesa no quadro e diz: “Agora sim ele está pronto para rodar”. Apenas um botão que desliza, no console central, faz o papel de câmbio. Em carros que são somente elétricos, com o Leaf, seu motor é ligado direto às rodas, pois para aumentar a velocidade, ele precisa liberar mais potência, já para colocar o carro em ré, a polaridade é invertida. Encontramos somente três opções: R (ré), N (neutro) e D (drive). Porém em D, existem dois modos que são normal e Eco, este é para uma condução mais ecológica e também econômica. No normal, o Leaf roda parecido com um modelo 2.4 com vocação esportiva. No modo Eco, ele funciona como um pacato e lento 1.4.
O quadro superior de instrumentos traz um tipo de econômetro digital. Ao lado dele, uma árvore é montada em fatias horizontais: quanto mais você utiliza o modo Eco para dirigir, acelerando aos poucos, mais rápido o seu pinheiro é montado. Quando completado, o tamanho dele diminui e é deslocado para o lado. E então, uma nova árvore é montada. Parece uma besteira, mas quem dirige o Leaf, retorna falando de quantos pinheirinhos conseguiu colecionar. Outro meio de ser ecológico é tirar o pé do acelerador numa descida por exemplo. Quando mais repentina for essa ação, mais esse sistema consegue converter a energia gerada pela movimentação das rodas, em energia elétrica que será utilizada para as baterias. Segundo a Nissan, em uma viagem que tenha descida de Serra, por exemplo, o Leaf pode terminar o trajeto com a carga da bateria e autonomia maiores do que no início da viagem, devido a grande capacidade do sistema de regeneração. Já em condições normais de rodagem, a marca informa que a autonomia é de 160Km.

Ao dirigir o Leaf, o condutor sente todas as vantagem e desvantagens dos seus 1,5T. Quando o piso é irregular, o resultado do peso elevado é a carroceria ficar um tanto saltitante. Porém, com o peso se concentrando na região do assoalho, baixa o centro de gravidade favorecendo a dirigibilidade.
Subindo ladeira, o elétrico mostra a capacidade de um carro a combustão, sobrealimentado – sua aceleração é como se estivesse um uma reta.
Durante os dias em que o Leaf foi avaliado por nós, muitos comemoraram o fato de ter um caro não poluente em nossas ruas. Vários olhares curiosos, fotos de celulares e algumas perguntas vindas de outros motoristas comuns no trânsito, a vontade que o brasileiro tem de possuir um carro elétrico. Porém no Brasil ainda não existe uma política de incentivo à importação, ao uso ou à fabricação de caros híbridos e elétricos, diferentemente de outros países. Hoje, se o Leaf fosse importado para cá, a estimativa de custo seria de aproximadamente 160.000 reais. Esse seria um valor fora da realidade, visto que ele pode custar 21.500 dólares nos Estados Unidos, dependendo do Estado. Já sem os incentivos do governo, custaria acima de 34.000 dólares. Um valor de seria capaz de tornar quase inviável a circulação dele por aqui.
Dúvidas e perguntas? Escreva nos comentários abaixo ou pergunte por Twitter e/ou Facebook.
Fonte: Revista Quatro Rodas, Junho 2011, edição 618, ano 51
Matéria publicada dia: 20/05/2011
Equipe Gilson Pneus

Comentários (3)
The expertise shines through. Thanks for taking the time to asnewr.
The expertise shines through. Thanks for taking the time to asnewr.
The expertise shines through. Thanks for taking the time to asnewr.